Penso que viver a cerca de 350 quilômetros da capital do estado deveria significar apenas uma distância geográfica. Na prática, para quem mora no Noroeste Fluminense, essa distância representa décadas de esquecimento, falta de investimentos e pouca atenção do poder público.
A região, que reúne aproximadamente 350 mil eleitores e tem Itaperuna como cidade-polo, possui enorme importância para o estado do Rio de Janeiro. É referência em confecções, ensino superior, saúde e serviços para dezenas de municípios. Abriga, no distrito de Raposo, a única estância hidromineral do estado. No passado, foi a maior bacia leiteira fluminense, atraindo grandes indústrias, como a Leite Glória, hoje pertencente ao grupo Quatá, que na década de 1960 gerou centenas de empregos diretos e impulsionou a economia regional.
Apesar desse potencial, a região perdeu protagonismo ao longo dos anos. Dos quatro hospitais que já possuía, hoje resta apenas o Hospital São José do Avaí como principal referência. O saneamento básico continua sendo um dos maiores problemas, com grande parte do esgoto despejado in natura nos rios Muriaé, Pomba e seus afluentes. O abastecimento e o tratamento de água ainda enfrentam sérias deficiências, enquanto a violência urbana cresce e a infraestrutura não acompanha as necessidades da população.
Diante dessa realidade, cresce o sentimento de que a região precisa fortalecer sua representatividade política. Durante mais de 27 anos, o Noroeste Fluminense não teve um representante na Câmara dos Deputados, situação que só mudou em 2022. Na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, a região conta com apenas um representante desde 2013. Para um universo de aproximadamente 350 mil eleitores, muitos moradores consideram essa representação insuficiente para defender os interesses regionais.
Ser bairrista, nesse contexto, não significa fechar os olhos para o restante do estado nem agir por rivalidade. Significa valorizar a própria terra, reconhecer sua importância econômica e social e compreender que uma região sem representantes fortes tende a perder espaço nas decisões sobre investimentos, obras e políticas públicas. É defender que o Noroeste Fluminense tenha voz proporcional à sua relevância.
Uma região que produz, estuda, trabalha e contribui para o desenvolvimento do estado não pode continuar vivendo “de pires na mão”, aguardando favores ou migalhas do orçamento público. O desenvolvimento sustentável depende de planejamento, investimentos e, principalmente, de representação política capaz de levar as demandas locais aos centros de decisão.
O Noroeste Fluminense tem história, potencial e um povo trabalhador. O que falta não é capacidade de crescer, mas prioridade nas políticas públicas. E essa prioridade passa, inevitavelmente, por uma participação política mais forte e por uma representação que coloque a região no lugar que ela merece no mapa do desenvolvimento do estado do Rio de Janeiro.

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