Boa Ventura e o DNA do empreendedorismo. Por: Keila do Toldo.

Há lugares que nos surpreendem não apenas pelo que produzem, mas principalmente pelas pessoas que os constroem todos os dias. Na última sexta-feira, 31 de julho, tive a oportunidade de passar parte do dia no distrito de Boa Ventura, em Itaperuna-RJ, visitando empreendedores, industriais e prestadores de serviços. Voltei convencida de que Boa Ventura carrega, em sua história, um verdadeiro DNA empreendedor.

Minha primeira parada foi na Creche Tida Faria. O que encontrei ali merece reconhecimento. Em uma área de aproximadamente 3.600 m², a unidade atende diariamente 232 crianças e 55 idosos, oferecendo um ambiente acolhedor, acessível, organizado e preparado para cuidar das pessoas com dignidade. Salas climatizadas, uma cozinha moderna, espaços bem planejados e uma equipe comprometida fazem daquele lugar um exemplo de como o serviço público pode funcionar bem quando há gestão, dedicação e responsabilidade.

Tive a satisfação de almoçar com as crianças, professores e funcionários, sendo recebida pelo responsável pela unidade, o Sr. Aldenir Nogueira. São 43 colaboradores que, diariamente, ajudam a transformar vidas por meio da educação e do cuidado.

Creche Tida Faria

Depois segui para a zona rural do distrito para conhecer a Boa Lac, indústria de laticínios do empresário Aceir Rangel. Mesmo localizada a cerca de cinco quilômetros da sede, em estrada de chão, a empresa gera aproximadamente 50 empregos diretos e produz alimentos que chegam à mesa de milhares de pessoas. Ali vi mais uma prova de que desenvolvimento não depende apenas da localização, mas da coragem de investir e acreditar.

Boa-Lac laticínios

A última visita foi à Vest Surf, do empresário Luiz Agripino Gregório. Uma empresa que emprega cerca de 700 trabalhadores e produz bermudas, camisas para diversas marcas, demonstrando a força da indústria instalada em Boa Ventura e sua importância para a economia de Itaperuna e da região.

Vest surf

Ao longo do dia, uma reflexão foi ganhando força dentro de mim. Não são apenas essas empresas que fazem de Boa Ventura um lugar especial. O distrito também revelou ao longo de sua história inúmeros empreendedores que construíram negócios de sucesso e ajudaram a desenvolver nosso município. São nomes como Paulinho, da Eletrocenter, Toninho, da Tony Lar, Dr. Botelho, Cirinho, Gogó o trovador, Lino, entre tantos outros que nasceram em Boa Ventura e levaram sua capacidade empreendedora para diferentes setores da economia.

Talvez exista mesmo um DNA empreendedor naquele distrito. Um espírito de trabalho, perseverança e iniciativa que passa de geração em geração.

Mas a maior lição do dia veio quando perguntei a todos qual era a principal necessidade para continuarem crescendo.

A resposta foi praticamente a mesma em todos os lugares:

“Que o Estado faça a sua parte.”

Nenhum deles pediu privilégios. Ninguém pediu favores. O que pedem é o básico: estradas em boas condições, infraestrutura, segurança jurídica, energia de qualidade, apoio ao desenvolvimento e respeito a quem produz, gera empregos e movimenta a economia.

Essa resposta deveria servir de reflexão para todos nós.

Quando o poder público cumpre seu papel, o empreendedor faz o restante. E Boa Ventura já provou que sabe fazer muito bem a sua parte.

Saí de lá admirando ainda mais aquele distrito e sua gente. Boa Ventura é um exemplo de que o desenvolvimento nasce do trabalho, da coragem de empreender e da confiança no futuro.

Que possamos olhar para esse exemplo com a atenção que ele merece. Porque investir em quem produz, gera empregos e acredita em nossa terra, é investir no futuro de Itaperuna.

Keila do Toldo

blogdolorenzini.com

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