Opinião: A força do voto está na consciência do eleitor

As eleições estão se aproximando. Em breve, os brasileiros escolherão presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais. Mais do que um compromisso cívico, esse é um momento de grande responsabilidade.

Muitas pessoas concentram sua atenção na disputa para os cargos do Poder Executivo, mas acabam deixando em segundo plano a escolha dos parlamentares. Esse pode ser um dos maiores equívocos do eleitor.

A Constituição Federal é clara ao afirmar que “todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos”. São os deputados e senadores que elaboram leis, fiscalizam a aplicação dos recursos públicos, discutem o orçamento e têm influência direta nas políticas que afetam o dia a dia da população. Da mesma forma, os deputados estaduais exercem papel fundamental na fiscalização dos governos estaduais e na elaboração das leis que impactam cada estado.

Quando a escolha recai sobre representantes despreparados, omissos ou mais preocupados com interesses particulares do que com o bem comum, a sociedade acaba pagando um preço alto. Os reflexos aparecem na saúde que não atende, na educação que perde qualidade, na segurança pública que deixa o cidadão com medo, na infraestrutura deficiente, no saneamento básico insuficiente e na elevada carga tributária sem o retorno esperado em serviços públicos.

Depois da eleição, é comum ver as redes sociais repletas de críticas: falta água, a energia é de péssima qualidade, os hospitais estão lotados, as escolas enfrentam dificuldades, a violência aumenta e a população cobra soluções. Essas reclamações são legítimas, mas é importante lembrar que a cidadania começa muito antes das postagens nas redes sociais: ela começa na urna.

Um exemplo dessa realidade pode ser observado em cidades do interior do Estado do Rio de Janeiro que, mesmo sendo polos regionais de comércio, serviços, saúde e educação superior, enfrentam graves problemas de segurança pública, com índices de violência que preocupam toda a população. Isso demonstra que a simples existência de representantes eleitos não basta. É preciso que eles exerçam seus mandatos com responsabilidade, compromisso e resultados concretos.

O voto não deve ser guiado por promessas fáceis, favores pessoais, emoção momentânea ou pela popularidade nas redes sociais. Deve ser uma decisão consciente, baseada na história do candidato, em sua conduta, em sua capacidade de representar a sociedade e no compromisso demonstrado com o interesse público.

A democracia oferece ao cidadão um instrumento poderoso: o voto. Mas esse instrumento só produz os resultados que a sociedade espera quando é exercido com responsabilidade.

Reflita. Pesquise. Compare. Fiscalize. Vote com consciência.

A qualidade dos nossos representantes determinará, em grande parte, a qualidade do país que teremos nos próximos anos. O futuro não é construído apenas pelos eleitos; ele começa com a escolha de cada eleitor.

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