Entregue ao povo pão e circo e eles nunca se revoltarão.(Júlio César).

Hoje, o que revolta não é apenas a dificuldade que o povo enfrenta, mas a sensação de inversão de prioridades. Enquanto milhões de brasileiros lidam com problemas reais, saúde precária, educação fragilizada e falta de segurança vemos recursos públicos sendo direcionados para grandes eventos e espetáculos.

O recente show da Shakira no Copacabana é um exemplo disso. A prefeitura investiu milhões de reais no evento, com a justificativa de fomentar o turismo e movimentar a economia. De fato, há estimativas de retorno financeiro significativo, chegando a centenas de milhões de reais em atividade econômica. Mas a pergunta que fica é: esse retorno chega de verdade a quem mais precisa? No estado do Rio de Janeiro tivemos uma Copa do Mundo de Seleções de Futebol(2014) e uma Olimpíada em(2016), o estado e sua capital estão aguardando o término desse legado até hoje.

O problema não é a cultura, nem o entretenimento. O problema é quando essas ações parecem desconectadas da realidade de uma população que sofre diariamente com a ausência do básico. Não se trata de ser contra shows ou eventos, mas de questionar prioridades e transparência.

Ao mesmo tempo, vemos um cenário político marcado por disputas, promessas não cumpridas e alianças questionáveis. Projetos antigos seguem inacabados, enquanto novos discursos surgem em busca de poder. E o cidadão comum, mais uma vez, se sente usado lembrado apenas em época de eleição.

Cidadania não deveria ser apenas votar. Deveria ser cobrar, fiscalizar e exigir coerência. Um país não se constrói com espetáculos, mas com responsabilidade, planejamento e respeito ao seu povo.

No fim, fica a reflexão: estamos sendo governados para aparecer bem no mundo, ou para garantir dignidade a quem vive aqui?

Foto ilustração!

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