O povo hebreu e A política da Pedra Preta!

A história do povo hebreu traz uma das mais marcantes narrativas de libertação e transformação registradas na tradição religiosa.

Segundo o relato do livro de Êxodo, Moisés foi escolhido por Deus para conduzir os hebreus para fora do domínio do Faraó do Egito, onde viveram aproximadamente 400 anos em condição de escravidão.

Após a libertação, iniciou-se uma longa caminhada rumo à Terra Prometida. No entanto, aquela travessia que poderia ter sido breve transformou-se em uma peregrinação de 40 anos pelo deserto.

Isso ocorreu, segundo o próprio relato bíblico, porque muitos não conseguiam compreender o valor da liberdade recém conquistada. Acostumados às migalhas e à dependência do sistema que os oprimia, alguns preferiam a falsa segurança do passado à responsabilidade de construir um futuro livre.

Essa narrativa antiga pode servir como metáfora para refletirmos sobre situações contemporâneas.

Itaperuna, no Rio de Janeiro, com pouco mais de 100 mil habitantes e reconhecida como a cidade mais importante da região Noroeste Fluminense, viveu recentemente um momento histórico: após quase 30 anos, voltou a ter representação na Câmara dos Deputados do Brasil, em Brasília.

Entretanto, causa espanto perceber que parte do grupo político atualmente no poder municipal, acompanhado por setores da própria população, parece não valorizar plenamente essa conquista. Há quem prefira continuar dependente de favores e promessas de políticos de outras regiões, mantendo uma cultura de dependência que pouco contribui para o fortalecimento político do município.

Esse comportamento lembra, de certa forma, a atitude de parte do povo hebreu durante a travessia do deserto: a dificuldade de compreender que autonomia e representação própria são caminhos mais dignos e eficazes do que a dependência permanente de migalhas.

A verdadeira liberdade, seja de um povo antigo ou de uma cidade moderna, exige consciência, participação e valorização das conquistas coletivas. Quando uma comunidade abre mão da própria voz, corre o risco de permanecer sempre à margem das decisões que determinam o seu futuro.

Assim como na antiga caminhada rumo à Terra Prometida, o desafio continua sendo compreender que a liberdade e a representação política não são apenas privilégios: são responsabilidades que precisam ser defendidas e preservadas.

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